Prédios Neoclássicos do Rio de Janeiro

Arquitetura muitas vezes não tem apenas preocupações estéticas ou funcionais. Às vezes, o estilo de uma construção revela muito mais do que o bom (ou mau) gosto do projetista, revela um projeto de nação, como foi o caso do neoclassicismo no Brasil.

O neoclassicismo foi um movimento acadêmico e artístico de inspiração iluminista surgido em meados do século XVIII. Buscou na Antiguidade Clássica (principalmente nas descobertas arqueológicas de Pompéia) e na cultura renascentista as suas inspirações literárias, arquitetônica e artística. Foi o principal modelo artístico no Brasil no século XIX.

Sua origem no nosso país remonta à chegada da Família Real Portuguesa, fugida da Europa, em 1808. Antes mesmo da Independência, em 1822, vemos alguns prédios sendo construídos ou reformados de acordo com as regras do estilo no Rio de Janeiro. As construções do período não eram projetadas apenas para proporcionar conforto à nobreza portuguesa, mas principalmente, para expor à população o projeto de civilização da monarquia - voltado para a Europa.


Grandjean de Montigny (1776-1850), foi o principal responsável pelo desenvolvimento da arquitetura naoclássica no Brasil. Veio para o país junto com a Missão Artstica Francesa em 1816. Chegando ao Brasil, é nomeado professor de arquitetura na Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que, após a Independência, passou a ser chamada Academia Imperial de Belas-Artes. Foi professor de arquitetura até sua morte em 2 março de 1850.
Retrato de Grandjean de Montigny pintado cerca de 1843 pelo alemão Augusto Müller
http://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Henri_Victor_Grandjean_de_Montigny

Realizou inúmeros projetos, mas poucos foram erguidos e menos ainda estão de pé. Ex.: o pórtico da Academia de Belas Artes, único resquício do prédio demolido em 1930, hoje localizado no interior do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Outros exemplares remanescentes de sua obra são a atual Casa França Brasil (antiga Praça do Comércio) e o Solar Grandjean de Montigny, hoje propriedade da PUC-RJ;
 
Academia Real de Belas Artes – Projeto de Montigny. Construído nas imediações da praça Tiradentes, o pórtico foi transferido para a aléia das palmeiras do Jardim Botânico.
http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/academia-belas-artes.html
 

Antiga Praça do Comércio, atual Casa França-Brasil. Projeto de Montigny. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/CasaFrancaBrasil-CCBY.jpg
 
Em meados do século, o neoclassicismo não esta restrito às elites. É apropriado pelas camadas intermediárias da sociedade. surgem casas numa derivação popular dos edifícios oficiais. O estilo se expande para o interior do Rio e outras capitais. O neoclassicismo se configurou como símbolo de construção moderna e adequada a nova nação brasileira, no imaginário da classe média carioca . 
 
Vamos, agora, passear por alguns prédios neoclássicos que você vê todo dia, para que fique mais claro o que era o estilo:
 

As principais características do estilo são o uso de colunas e frontões triangulares, a simetria e a clareza construtiva.

Santa Casa de Misericórdia. Fica no Centro do Rio. Destaque para o frontão triangular e as colunas na fachada.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1f/Sta_casa_misericordia_rio_janeiro.JPG



Palácio Universitário da UFRJ, mais conhecido como Campus da Praia Vermelha. Ninguém repara nele direito, porque hoje a entrada principal é feita pelos fundos, por ficar mais perto dos pontos de ônibus... mas repare na simetria do prédio:no meio o frontão; as duas alas e pavilhões perfeitamente simétricos.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Pal%C3%A1cio_Universit%C3%A1rio_do_campus_da_Praia_Vermelha_da_UFRJ.jpg



No Rio de Janeiro os prédios dividiam-se basicamente em três estilos de composição:

Corpo central, ressaltado unido por alas alongadas a outros corpos salientes nos extremos (prédios de grandes dimensões). Ex.: Arquivo Nacional, Benjamim Constant e Paço de São Cristovão.
 
Prédio do Instituto Benjamim Constant, na Urca.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3Qv62GQ7zAEHI0mtB1ZLsSNpVVrGBB0gbYsgmBtV2KTFm7ir0tQs03GbLpDuAgXZ0Xqr3LWjStFov4syUOy2eKKJkaUXQECQewBtyKiPdw4SoHgE_5cp4DmFTegmP-jq7QEjgKEDSILE/s1600/29_MHG_RIO_3003_constant.jpg

Paço de São Cristóvão. Antiga residência dos reis de Portugal no Brasil e dos Imperadores Pedro I e Pedro II. Atual Museu Nacional, da UFRJ.
http://www.riototal.com.br/riolindo/tur018-palacio_cristovao.jpg

 
 
Antiga Casa da Moeda, atual Arquivo Nacional. fica na Praça da República!
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/17/Arquivo_Nacional_(exterior).jpg
 
 
Corpo central destacado das alas laterais. Ex.: Fábrica de Gás da Companhia de Iluminação a Gás.
 
Esse você já viu! Fábrica de Gás da Companhia de Iluminação a Gás – projeto de William Bragge, 1852 . fica na Av. Presidente Vargas, altura da Praça XI.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgvEXg3-kU8GWJSAeegX7prIfVDUJ3IBlxJj1H3KIF5waySNJ8KwJUO_oo-JYP3PuiLTJyEx6NMajvfudurXUEH6NrX5tPsw7A3jtkDrRkl2WWQH5Fn-f4fE5vJZ9y5ujexbf_H1SxutUK/s1600/CEG.jpg
Corpo único: Palácio do Catete.

Palácio do Catete com estátuas no lugar das águias.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4a/Catete_pal%C3%A1cio.JPG


Casa da Marquesa de Santos – 1825. Pedro José Pezerat (Pierre-Joseph Pézerat) . Fica em São Cristóvão, perto da Quinta da Boa Vista.
http://www.revistadehistoria.com.br/uploads/docs/images/images/casa_Marquesa%20dos%20santos.jpg


 



Existem muitos outros prédios neoclássicos na cidade, mas, agora, deixo a cargo de vocês a pesquisa!

Um abraço![1]


[1] Para quem quiser saber mais sobre o assunto, indico o texto de Gustavo Rocha-Peixoto que está esgotado, mas existe uma versão online de parte da publicação no google books:

ROCHA-PEIXOTO, Gustavo. Introdução ao neoclassicismo na arquitetura do Rio de Janeiro. In: CZAJKOWSKI, Jorge (Org.). Guia da arquitetura colonial, neoclássica e romântica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2000.



 




 


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